domingo, 21 de setembro de 2008



O rap em geral, apesar de ter uma grande carga de crítica social, não costuma se valer de uma linguagem que permeie discursos ideológicos claros. Falei e falei e não disse, né. Deve ser o ano eleitoral. O que eu quero mesmo dizer é que esses caras de São Luiz colocaram pela primeira vez a palavra "mais valia" num rap. E a rima é porrada e o som contagiante. Até porque, como eles dizem, são da maior periferia do Brasil. O nordeste. Clan noredestemente afro. É nóis na fita...


downloado do disco

sábado, 12 de abril de 2008

Sacolejando na Metrô

Esses turbulentos anos de descoberta. A adolescência. Grandes amores impossíveis, amigos fiéis e a trilha sonora do sonho, ou do desespero. A cidade ainda tinha mais cheiro de província. Todos se conheciam, frequentavam as mesmas boates, cinemas, saídas do colégio das freiras.
Mas havia algo novo no ar. Uma rádio de rock. Uns paulistas malucos que bateram nessas costas e resolveram aportar. Eu lembro do Guinha. Chegamos a trocar umas idéias. Ganhei uns discos no sorteio. Fui a shows. Um deles especialmente marcante: GUETO.
Alguma coisa entre o que viria a ser o Jamiroquai e já era o Red Hot. Aqui teve também uma banda com esse embalo funk/disco, a Salamantra.
Borboleta Psicodélica era o carro chefe. Mas o embalo hipnótico de Estação Primeira é inesquecível.
Esse post é um pedido do grande amigo Dudu. "Eu tenho um irmão, que não é meu..."




















01. G-U-E-T-O
02. A mesma dor
03. Uma estória
04. Esse homem é você
05. Emoção
06. Borboleta psicodélica
07. Você errou
08. Estação primeira
09. Ensaio geral


Baixa o disco aqui, meu...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O primeiro Tim Maia a gente nunca esquece...

Era um bolachão duplo. De 73. Uma foto do Tim bem jovem na capa. E uma pancadaria lá dentro.

Mais tarde, em 87, cantando no Bar do Érico, na Lagoa. Hoje Latitude. Saí até na coluna do Beto Stodieck, com caricatura do Jóris e tudo: "O gordo é demais". O repertório, não podia ser outro: Tim Maia do Brasil.

Mais ou menos nessa época, Rock Laguna, eu trabalhando de segurança, passou o homem do meu lado. Tinha combinado com um amigo jornalista, o Bido, que ia dar um beijo e ele fotografaria. Mas na hora H, Tim passou compenetradíssimo, com um perfume forte, não rolou.

Agora essa biografia do Nelsinho Motta. Nem tanto pelo livro, mas pelo personagem. E as lapidares frases:

“O Brasil é o único Pais em que além de puta gozar, cafetão sentir ciúmes e traficante ser viciado, o pobre é de direita.”

“Eu não fumo, não bebo e não cheiro. Meu único defeito é que eu minto um pouco.”

Tim foi o único cara que conseguiu viver 100 anos a 100. Ou, exagerado como era, viver mais de 50 anos, sem nunca ter ido ao médico? Era o Superhomem. Supertim, salva a nossa vida com sua música para "esquentar sovaco e melar cueca". God bless you, brazilian soul man!

O disco que andei ouvindo ultimamente é um ao vivo, que eu não conhecia. Foi gravado em 89, mas só agora lançado. Destaque para a faixa "Sossego", quando o mestre decreta:

" O que eu quero é sossego e um quilo do bom."




















Tim Maia - In Concert

1. A Festa do Santo Reis
2. Sossego
3. Gostava Tanto de Você
4. Primavera (Vai Chuva)
5. Baby
6. Telefone
7. Do Leme ao Pontal
8. O Descobridor dos Sete Mares
9. Você e Eu, Eu e Você
10. Me Dê Motivos
11. Você
12. Um Dia de Domingo
13. Vale Tudo


Baixa aqui, rapazi.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Titãs já foi roquenrou

Sem saudosismo barato.

O ano era 1993 e o mundo tava tentando se acostumar com um bando de maluco desarrumado e gritão. Tal de grunge. E o mais doentinho de todos o Kurt Cobain, botou o bilau pra fora na frente das câmeras da globo, ao vivo, para todo Brasil, em horário nobre.
Os Titãs já vinham engrossando o caldo, mas nesse disco o pau pegou geral. Titanomaquia, o nome da criança. Eu sempre pensei essa coisa de serem sete ou oito caras no palco, na criação.

Mas é estranho pensar que uma banda que já gravou "Dissertação do papa sobre o crime seguido de orgia", com uma letra que diz:

O assassinato é uma paixão como o jogo, o
vinho, os rapazes e as mulheres, e jamais
corrigida se a ela nos acostumar-mos.
O crime é venerado e posto em uso por toda a
terra. De um pólo o outro se imolam vidas
humanas.

Possa anos depois, dizer, na música Epitáfio:

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Eu que já estou com quase 40, começo a compreender esse processo de adoçamento das arestas raivosas. E o público envelhece com a banda. Mas eu ainda fico com essa fase "foda-se" dos Titãs do ié ié ié. Ouçam alto.




Titanomaquia - 1993

1. Será que é isso o que eu necessito
2. Nem sempre se pode ser Deus
3. Disneylândia
4. Hereditário
5. Estados alterados da mente
6. Agonizando
7. De olhos fechados
8. Fazer o quê
9. A verdadeira Mary Poppins
10. Felizes são os peixes
11. Tempo pra gastar
12. Dissertação do Papa sobre o crime seguida de orgia
13. Taxidermia



Tá na mão, baixa aqui

O Prazer Solitário

Um dos meus maiores prazeres era ouvir som no carro, enquanto ia vendo o mundo passar lá fora. Hoje não tenho, mas arrumei um mp3 porreta. E voltei a viajar pelos lugares, agora a pé.

Estou ouvindo de novo velhos sons, agora com os detalhes realçados pelos fones de ouvido.

A música sempre me acompanhou, fiel companheira. De muitos gêneros, ainda que eu tenha lá meus limites. Mas quando bem feita, com: paixão, qualidade, poesia e criatividade. É sempre muito bem-vinda. Música, humana música.